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A Maria que ria aos domingos de manhã

por Manuel P., em 25.05.16

 

    Maria acordava já a manhã ia bem longe, tomava o pequeno almoço, praticava a higiente matinal, punha a farda de trabalho que lhe assentava que nem uma luva e saia para o trabalho. Era assim todos os dias, ou pelo menos quase todos.

 

    Não havia melhor do que Maria no seu ramo, nenhuma alma tinha tanta versatilidade ou colocava tanto emprenho para que o produto final sai-se o mais perfeito possível, e Maria era, durante a semana, alvo de cobiça e olhares invejosos.

 

    Ao Domingo de manhã, Maria tinha uma outra rotina. Acordava cedo, bem cedo, vestia o vestido creme, estilo conservador anos 50 e abalava para a igreja. Não se pode ser totalmente perfeita, todas têm os seus pecados e Maria sabia-o como ninguém. Sentada no fundo, Maria contemplava o desprezo. O Manuel do talho roçou os olhos nela durante o Pai Nosso, encostando-os rapidamente ao chão. Afinal, os prazeres da carne são um pecado mortal, ou devem ser, de acordo com o homem de batina, padre a tempo inteiro ao fim de semana, pecador às terças entre as 11 e a 1 da manhã.

 

Durante meia hora, uma comunidade inteira fingia elevar o seu coração aos céus, em busca da purificação e beatificação, quando na verdade, na crua verdade, metade tinha o sangue a fervilhar de ódio e desprezo, enquanto a outra metade orava a um Deus dos prazeres da carne.

 

A tudo isto Maria achava piada. Maria tinha um sentido de humor estranho a que apensa metade da comunidade achava piada, à excepção do domingo de manhã, pois claro.

 

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publicado às 20:39

desígnio da condição humana

por Manuel P., em 21.11.15

 

 

Quero acreditar que há um desígnio na condição humana

Há um significado na realidade que encontramos.

Porque,

sem isso o sentido do que convivemos é inatingível

e os corpos amontoam-se na crosta terrestre aos milhares.

 

Não há, contudo, um sentido contrário à entropia do universo

os homens que enviam sondas para além da Galáxia são os mesmos que matam

e as mesmas civilizações que condenam à miséria milhões de vidas.


Uns apregoam a paz, e tentam selar a paz com bombas e morteiros

outros clamam a convivência pacífica enquanto escravizam.

Numa pequena igreja, outrora foram dadas juras de amor

e hoje um corpo jaz num cemitério, onde o tempo limpa as feridas.


Há uma inconstância incompreensível em tudo isto.

O poder é perseguido, há lideres natos na condução dos destinos.

Mas onde era suposto ser forjado um destino colectivo comum de prosperidade,

há a ambição pessoal. Não há sensatez comunitária.

E os povos bebem sedentos as palavras de ilusão,

marcham alegremente em guerras que não são deles

entoam orações de paz e amor enquanto ceifam vidas

confrontam-se sem se interrogarem da validade dos argumentos que lhes incutiram.

 

No fundo, a entropia será, provavelmente, o derradeiro destino da raça Humana.

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publicado às 20:33

Líbido

por Manuel P., em 27.08.15

 

 

Conheci um gajo que tinha a líbido no anús,

sempre que amava só fazia merda.

Conheci outro que a tinha na ponta dos dedos dos pés,

ao amar, espalhava-se ao comprido.

 

É muito curiosa essa líbido,

serve de desculpa para tanta estupidez.

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publicado às 22:12


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