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Estilhaços de ti

por Manuel P., em 30.10.15

 

 

Há estilhaços do beijo que não deste espalhados pelo jardim,

e onde as flores não crescem e o sorriso ímpio das formigas prevalece

pedaços do que não houve de ti não esmorece, cresce pela madrugada fora.

 

Nas sombras da laranjeira o herege compactua.

É manhã ou noite ou por do sol, pois a luz tolda os sentidos

e a tarde esmorece e estremece só de pensar em ti.

 

E, no entanto, nesses estilhaços de ti espalhados pelo jardim

há uma refracção impossível de explicar.

Um brilho indómito, um arco-íris permanente e opulente.

 

Quero limpar o jardim, preciso de o fazer,

mas contigo a meu lado.

 

 

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publicado às 20:13


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