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Duas linhas

por Manuel P., em 27.10.15

Caspar David Friedrich [Public domain] - Solitary Tree

 

 Haviam duas linhas que se estendiam para além do infinito rasgando o verde dos prados

e uma àrvore abandonada no planalto direito.

Não havia água nem sede, havia verde e pássaros famintos.

 

Haviam duas linhas que delimitavam a estrada da imaginação para algo inatingível,

e um carvalho seco, e pássaros.

 

Haviam histórias jamais contadas, nunca vividas confinadas no espaço de duas linhas,

vidas inexistentes senão no real imaginário de vários pensamentos

e as gentes dessas histórias viviam circunscritas ao espaço definido por essas duas linhas.

 

Havia um orificio no carvalho abandonado à direita, outrora habitado por homunculos

e criaturas da floresta.

Tempos houve onde o carvalho não estava abandonado e não pertencia ao planalto direito

e as duas linhas não delimitavam um caminho nem se extendiam para além do horizonte.

Tempos houve em que em tudo ao redor do carvalho seco e abandonado do lado direito não faltava vida nem criaturas

humanas, humanoides, humos e míticas

e as histórias de encantar brotavam das folhas outrora verdes.

 

E houve um duende e uma fada, uma princesa encantada.

Um império de pequenas criaturas mágicas estendia-se para além da sombra do carvalho outrora vivo

e um outro império veio do além da sombra do carvalho reclamar a sombra para si.

Houve trovas cantadas nos ramos que conseguiam tocar os céus

e houve meninas encantadas por elas suspirando por entre as raizes.

 

Até que um dia,

havia apenas duas linhas que se estendiam para além do infinito rasgando o verde dos prados

e uma àrvore abandonada no planalto direito.

Não havia água nem sede, havia verde e pássaros famintos.

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publicado às 20:28

A arte da sublimação

por Manuel P., em 05.10.15

 

A poesia é a suprema arte da sublimação.

As palavras transformam-se e expandem-se

As exclamações sublimam-se e os sentidos perdem a noção do espaço.

 

Não há verdadeiramente uma vida, uma ciência ou religião sem esta sublimação.

Porque, contrariamente às ciências mortais,

Os teoremas de outrora vão caindo lentamente no fogo do conhecimento.

 

As palavras, no seu lado imutável

permanecem sem sentido.

Porque a imagem, a sua real imagem permanece indefinida.

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publicado às 19:47

sonho

por Manuel P., em 03.10.15

 

Quero em ti encerrar os meus sonhos

enterrar os meus suspiros

e soterrar a minha vida.

 

Se ao menos fosse tudo tão fácil

quanto escrever uns miseros versos.

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publicado às 21:07

Oculto prazer

por Manuel P., em 03.10.15

 

 Há um prazer oculto escondido nas brumas sombrias uma calmaria divinal.

Quando o universo em meu redor infringe as leis rígidas das termodinâmicas

e a entropia tende a diminuir e o humunculo desprende das porfundezas escondidas

e, numa acção fantasmagórica atinge o pleno deserto

onde encontra cabeças de crianças outroras plantadas efervescendo ao vento

e cantando nas noites dos outros.

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publicado às 20:13

Líbido

por Manuel P., em 27.08.15

 

 

Conheci um gajo que tinha a líbido no anús,

sempre que amava só fazia merda.

Conheci outro que a tinha na ponta dos dedos dos pés,

ao amar, espalhava-se ao comprido.

 

É muito curiosa essa líbido,

serve de desculpa para tanta estupidez.

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publicado às 22:12

Um CERN para o amor

por Manuel P., em 27.08.15

 

Há uma teatrilidade exacerbada nos dias dos amantes

as mãos geometricamente dispostas sob as leis da física

a actração magnética dos olhares

a polaridade exacerbada dos lábios.

 

E, no entanto, os métodos quânticos são incapazes de descrever os pequenos detalhes,

sim, porque o amor esconde-se nos detalhes mais infimos da quantica amorosa.

Ai a ciência não chegou por ora.

 

Há poemas exploratórios, tratados psicológicos e fisiológicos

opiniões de Freud e peças de shakespeare

seratonina produzida artificialmente

mas nenhum CERN para o amor.

 

E deveria haver um grande CERN para os amantes,

que procura-se a sua essência até à mais pequena partícula, qual bosão de higgs.

Porque se o bosão de higgs de é a particula de Deus e Deus inventou o amor

deve haver um rasto da sua fabricação,

e deve ser possível sintetizar e replicar o amor que um dia alguém sentiu

e usar a analítica, a física e a química e a quântica,

desfragmentar em pequenas partículas e voltar a juntar tudo novamente.

 

Talvez seja idiotice minha, mas deveria haver um CERN para o amor.

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publicado às 20:43

Putefração

por Manuel P., em 20.08.15

http://www.whosay.com/status/maianewley/720705

 

 

Há um odor a putrefacção na democracia que nos fazem passar pelas goelas,

onde apenas vale o querer de alguns.

Há mentiras, cartazes, promessas de amor

impossíveis de terem lugar.



Há cântaros e vidas partidas pela vontade de uns

enquanto outros ostentam o seu orgulho. Há um povo,

sempre o mesmo povo sujeito ao sofrimento vão.



Há medidas cravadas no peito de quem nada tem a não ser obrigação.

Há sede, há falta de pão, de futuro.



Há um povo que jaz em silêncio enquanto os viscondes dançam,

uma dança de palavras e sonhos, tentações e coisas que não o são.



Há um povo que definha na sua própria ilusão.

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publicado às 20:23

há-de flutuar uma cidade - Al berto

por Manuel P., em 20.08.15

 



há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida pensava eu... como seriam felizes as mulheres à beira mar debruçadas para a luz caiada remendando o pano das velas espiando o mar e a longitude do amor embarcado por vezes uma gaivota pousava nas águas outras era o sol que cegava e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite os dias lentíssimos... sem ninguém e nunca me disseram o nome daquele oceano esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar se espantasse com a minha solidão (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.) um dia houve que nunca mais avistei cidades crepusculares e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta inclino-me de novo para o pano deste século recomeço a bordar ou a dormir tanto faz sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade Al Berto

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publicado às 00:36

Talvez

por Manuel P., em 19.08.15

 

 

Pelas paredes da casa levantou-se o silêncio

da manhã taciturna

outrora coberta de ilusão.



Não é tarde nem noite, não há luz nem vazio nem riso ou escuridão

como tão usual compromisso existia, somente a um canto

um vulto desespera no mais profundo silêncio comedido.



Talvez os dias tenham sido feitos para amar,

mas no âmago do momento o dia já não o era,

o sol, a luz, o zumbir das abelhas tinha partido

e não estava ainda decidido se iriam voltar.



Havia ainda à vista as marcas dos risos nas paredes,

os riscos dos sorrisos trocados, os vestígios dos beijos despedaçados contra as paredes,

mas o ponto de origem partiu.



Talvez os dias tenham sido feitos para amar,

mas a partida rodou a bússola, e eram agora para sofrer

 

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publicado às 23:30

Mergulho

por Manuel P., em 15.08.15

 

 

Queria mergulhar nos teus braços e adormecer ao som estridente da noite

percorrer os vales do teu corpo de norte a sul e terminar com os corpos alinhados

numa simbiotica disposição.

 

Não te quero pelo que tens, mas pelo que és

pelo que me fazes ser

e sentir.

 

Não anseio a volubilidade da posse, mas a incerteza da simbiose,

a atracção química das marés. Agora rebentanto aos meus pés

mais distante num futuro breve

mas sempre retornando ao mesmo delirio constante.

 

Num mundo onde as palavras vão perdendo os sentidos

e as forças das físicas prevalecem sobre tudo o resto

procuro um porto de abrigo

onde o sonho possa atracar .

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publicado às 14:30


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