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Líbido

por Manuel P., em 27.08.15

 

 

Conheci um gajo que tinha a líbido no anús,

sempre que amava só fazia merda.

Conheci outro que a tinha na ponta dos dedos dos pés,

ao amar, espalhava-se ao comprido.

 

É muito curiosa essa líbido,

serve de desculpa para tanta estupidez.

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publicado às 22:12

Um CERN para o amor

por Manuel P., em 27.08.15

 

Há uma teatrilidade exacerbada nos dias dos amantes

as mãos geometricamente dispostas sob as leis da física

a actração magnética dos olhares

a polaridade exacerbada dos lábios.

 

E, no entanto, os métodos quânticos são incapazes de descrever os pequenos detalhes,

sim, porque o amor esconde-se nos detalhes mais infimos da quantica amorosa.

Ai a ciência não chegou por ora.

 

Há poemas exploratórios, tratados psicológicos e fisiológicos

opiniões de Freud e peças de shakespeare

seratonina produzida artificialmente

mas nenhum CERN para o amor.

 

E deveria haver um grande CERN para os amantes,

que procura-se a sua essência até à mais pequena partícula, qual bosão de higgs.

Porque se o bosão de higgs de é a particula de Deus e Deus inventou o amor

deve haver um rasto da sua fabricação,

e deve ser possível sintetizar e replicar o amor que um dia alguém sentiu

e usar a analítica, a física e a química e a quântica,

desfragmentar em pequenas partículas e voltar a juntar tudo novamente.

 

Talvez seja idiotice minha, mas deveria haver um CERN para o amor.

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publicado às 20:43

Putefração

por Manuel P., em 20.08.15

http://www.whosay.com/status/maianewley/720705

 

 

Há um odor a putrefacção na democracia que nos fazem passar pelas goelas,

onde apenas vale o querer de alguns.

Há mentiras, cartazes, promessas de amor

impossíveis de terem lugar.



Há cântaros e vidas partidas pela vontade de uns

enquanto outros ostentam o seu orgulho. Há um povo,

sempre o mesmo povo sujeito ao sofrimento vão.



Há medidas cravadas no peito de quem nada tem a não ser obrigação.

Há sede, há falta de pão, de futuro.



Há um povo que jaz em silêncio enquanto os viscondes dançam,

uma dança de palavras e sonhos, tentações e coisas que não o são.



Há um povo que definha na sua própria ilusão.

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publicado às 20:23

há-de flutuar uma cidade - Al berto

por Manuel P., em 20.08.15

 



há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida pensava eu... como seriam felizes as mulheres à beira mar debruçadas para a luz caiada remendando o pano das velas espiando o mar e a longitude do amor embarcado por vezes uma gaivota pousava nas águas outras era o sol que cegava e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite os dias lentíssimos... sem ninguém e nunca me disseram o nome daquele oceano esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar se espantasse com a minha solidão (anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.) um dia houve que nunca mais avistei cidades crepusculares e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta inclino-me de novo para o pano deste século recomeço a bordar ou a dormir tanto faz sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade Al Berto

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publicado às 00:36

Talvez

por Manuel P., em 19.08.15

 

 

Pelas paredes da casa levantou-se o silêncio

da manhã taciturna

outrora coberta de ilusão.



Não é tarde nem noite, não há luz nem vazio nem riso ou escuridão

como tão usual compromisso existia, somente a um canto

um vulto desespera no mais profundo silêncio comedido.



Talvez os dias tenham sido feitos para amar,

mas no âmago do momento o dia já não o era,

o sol, a luz, o zumbir das abelhas tinha partido

e não estava ainda decidido se iriam voltar.



Havia ainda à vista as marcas dos risos nas paredes,

os riscos dos sorrisos trocados, os vestígios dos beijos despedaçados contra as paredes,

mas o ponto de origem partiu.



Talvez os dias tenham sido feitos para amar,

mas a partida rodou a bússola, e eram agora para sofrer

 

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publicado às 23:30

Mergulho

por Manuel P., em 15.08.15

 

 

Queria mergulhar nos teus braços e adormecer ao som estridente da noite

percorrer os vales do teu corpo de norte a sul e terminar com os corpos alinhados

numa simbiotica disposição.

 

Não te quero pelo que tens, mas pelo que és

pelo que me fazes ser

e sentir.

 

Não anseio a volubilidade da posse, mas a incerteza da simbiose,

a atracção química das marés. Agora rebentanto aos meus pés

mais distante num futuro breve

mas sempre retornando ao mesmo delirio constante.

 

Num mundo onde as palavras vão perdendo os sentidos

e as forças das físicas prevalecem sobre tudo o resto

procuro um porto de abrigo

onde o sonho possa atracar .

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publicado às 14:30

 

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.
Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.
Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
- Era uma casa - como direi? - absoluta.
Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metias as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.
As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.
Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.
- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.
Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.
Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.
Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.

 

In "Ou o Poema Contínuo" - Assírio & Alvim, 2001

 

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publicado às 11:34

Ponto final.

por Manuel P., em 14.08.15

 

Todas as frases deveriam terminar num ponto final

Mesmo as que terminam em exclamação.

 

Quando me deste as reticências com sabor a vírgula fiquei à espera,

e esperei, e esperei. Julguei que fosse continuar a história,

repleta de pontos de interrogação e exclamações,

mas o desenrolar não veio, surgiu antes a angustia

velha madrasta do desespero.

 

Quando dei por conta, não eram reticências, mas sim três pontos finais.

Um para o fim do que fomos contruindo, outro para o fim do que estavamos a viver, outro para o terminar do sonho.

 

No fundo, à excepção do ponto final, todos os restantes sinais de pontuação são vagos e inócuos

de interpretações diversas.

Tinhas usado um só ponto final e eu teria já tido usado o ponto de exclamação a triplicar múltiplas vezes.

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publicado às 10:41

Sede

por Manuel P., em 10.08.15

 

 

Há uma sede de ti nas paredes da minha vida.

Uma brisa de inverno percorre os caminhos que percorremos juntos

enquanto o sol não brilha, por pura teimosia.

 

Não é dia, certamente não é dia.

 

E anseio o nascer do sol e da primavera,

o palminhar dos jardins e dos risos,

o gatinhar ofegante sobre o teu rosto.

 

Não é o dia, certamente não é o dia,

mas quem sabe se nunca o foi.

 

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publicado às 16:37

Amor lívido

por Manuel P., em 08.08.15

 

 

Há vidas suspensas em gargalos vazios

e familias pairando numa dança de éter.

 

Ele ama-a, não há dúvida

ele ama-a.

 

Um amor com aroma a frutos silvestres e travo de ervas frescas

consumido gentilmente fresco.

 

Um amor que penetra a pele, que suspira

tatuado a timbre lívido para a eternidade.

 

E no fim, por vezes, a morte separa para todo o sempre.

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publicado às 19:58


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